Romance A família Canuto

Romance A família Canuto
Romance A família Canuto e a Luta camponesa na Amazônia. Prêmio Jabuti de Literatura.

quinta-feira, 24 de julho de 2014



Teatro de Atitudes
É um livro de Carlos Cartaxo que demonstra a necessidade de um fazer teatral esteticamente ligado as atitudes do cotidiano social. Tanto a forma como o conteúdo devem estar construídos de tal maneira que seus signos provoquem uma ação interior estimulando assim uma leitura completa da obra de arte. Além dos capítulos teóricos há a publicação de dois textos teatrais: O espigão gaiato e O tico-tico cantador.
O espigão gaiato foi a experiência de um espetáculo de rua que contribuiu para a aprovação da Constituição paraibana que estipula um gabarito máximo de altura para a construções de edifícios na orla marítima em todo o estado da Paraíba. O tico-tico cantador debate e questiona a prisão de pássaros em gaiolas. Os dois textos provocam o debate a cerca do meio ambiente, logo atitudes cidadãs politicamente corretas.
A experiência dos textos aqui publicados foram realizadas pelo Grupo de Teatro Suspensório Produções Artísticas. O trabalho resultou em um prática que ratifica o significado do Teatro de atitudes.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Palestra: A construção literária do romance-reportagem

A programação da I Feira literária de Barra de São Miguel, Paraíba, contou na programação com a palestra A construção literária do romance-reportagem, de Carlos Cartaxo.

O evento aconteceu na noite de sábado, 16/05/2014, no pavilhão onde estava sendo realizada a I Feira Literária de Barra de São Miguel, no centro da cidade.

Oficina Escrita literária: a ficção no conto, romance e dramaturgia

A "Escrita literária: a ficção no conto, romance e dramaturgia" foi a oficina que Carlos Cartaxo ministrou na I Feira Literária de Barra de São Miguel, Paraíba, em 16/04/2014. O curso abordou sobre os gêneros literários do romance, poesia, inclusive cordel, dramaturgia, conto e crônica. A partir dos gêneros literários, explorou os conteúdos: ideia, personagens, conflito, narrativas e vocabulário. Posteriormente trabalhou o processo metodológico da escrita e, por último, realizou dois exercícios práticos da escrita literária.


O evento contou com a participação de professores, estudantes e escritores locais. A realização foi da Secretaria de Cultura e da Secretaria de Educação de Barra de São Miguel.

sábado, 26 de abril de 2014

Estreia: Da exceção à regra

Da exceção à regra

É uma releitura do texto “A exceção e a regra” de Bertolt Brecht que se propõe a tratar didaticamente a relação capital/trabalho; explorado versus explorador. A proposta não é abordar o tema de forma panfletária, mas, com uma visão crítica da sociedade pós-moderna, afirma Cartaxo, diretor do espetáculo. O trabalho está circulando por escolas e estará em Cartaz no Núcleo de Arte Contemporânea da UFPB sexta-feira, dia 25 de abril às 16:00 horas e as 19h:30 minutos; e no Teatro Lima Penante, sábado, às 19:00 horas e as 20h:30 minutos. Entrada gratuita. Patrocínio FIC – Fundo de Incentivo a Cultura e Governo do Estado da Paraíba.
A encenação consta de um elenco com sete intérpretes, porém apenas um, Cleber Lima, atuará no palco. Em algumas cenas esse ator “entra” na tela; em outras ele sai. Essa mescla de cenas bidimensionais gravadas e tridimensionais no palco aproxima o espectador dos recursos técnicos que a arte tem para encantar.
Elenco: Cleber Lima, em palco, e Albanizia Diniz, Ana Bandeira, Anadete Alves do Nascimento, Fábio Fernandes, Laerte Pereira, Leila Viana e Socorro Fernandes, filmados.

Montagem: Suspensório Produções Artísticas
Direção: Carlos Cartaxo
Cenografia: Florismá Melo
Trilha sonora: Carlos Anísio.
Câmeras: Renato Alves, Carlos Cartaxo e Cleber Lima
Edição de Imagem: Alfredo Amaral
Produção cinematográfica : Forma comunicação e Designe Gráfico
Cartaz: David Fernandes
Contra-regra: Aldair Estolano
Patrocínio: FIC – Fundo de Incentivo a Cultura e Governo do Estado da Paraíba

Apoio: CCTA/UFPB

Agradecimentos
ADUFPB, Érica coelho, Everaldo Vasconcelos, Georgina Furtado, Irlane Soares, João Fernandes, João de Lima, Joselito Jacumã, Malu Mariano e Ricardo Araújo,


Suspensório Produções Artísticas 

Com essa montagem, o Suspensório Produções Artística comemora 30 anos de trajetória. O grupo trabalhou com teatro infantil, teatro de rua, teatro de revista e teatro para palco. Muitos artistas do teatro paraibano passaram pelo grupo. Alguns fizeram carreira acadêmica como é o caso de Romualdo Palhano, pós-doutor em teatro e professor da UNIFAP, Carlos Cartaxo, doutor em Arte e educação, professor da UFPB e Palmira Palhano, mestre em educação e professora do IFPB.


Fundação: 10 de junho de 1984
Da exceção à Regra
A Montagem da “Da exceção à Regra” é uma homenagem aos 30 anos do Grupo de Teatro Suspensório Produções Artísticas que se propõe a introduzir uma visão crítica para que o teatro, assim como as demais expressões artísticas, possam se abrir para todas as possibilidades de expressões humanas.


Espetáculos montados pelo suspensório
1. O Palhaço e o Rei, texto infantil de Marcos Pequeno. 1984
2. O Sorriso do Palhaço, teto infantil de Paschoal Lourenço, 1985
3. A Carne é Fraca, teatro de Revista de Carlos Cartaxo e Marcos Dias Novo, 1985.
4. Acalanto de Joana Louca, tragédia de Fernando Silveira, 1985.
5. O Espigão Gaiato, teatro de rua, texto de Carlos Cartaxo, 1986.
6. O Tico-Tico Cantador, texto infantil de Carlos Cartaxo, 1887.
7. Brasil Caboclo, teatro de bonecos, Romualdo Palhano, 1989.
8. As travessuras de Zé caboclo, teatro de bonecos, Romualdo Palhano, 1990.
9. Lisístrata, comédia de Aristófanes, 2005.
10. Da Exceção à Regra, Adaptação do texto A Exceção e a Regra de Bertolt Brecht, 2006 e 2014.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Está chegando a hora da estreia de "Sementes da Paixão". A nova montagem teatral do CENEP. Texto e Direção de Carlos Cartaxo. O trabalho aborda sobre fitoterapia e a força das tradições populares. De Nova Palmeira para o Brasil. Na foto: Débora Borges, Letícia Dias e Rita Diniz.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Em breve:
"Sementes da Paixão", peça teatral, com texto e direção de Carlos Cartaxo, que aborda sobre plantas medicinais e tradições populares. A montagem é uma experiência construcionista onde o texto foi elaborado a partir de pesquisa realizada nas comunidades envolvidas e nas oficinas de criação e preparação teatral.
A montagem é do CENEP - Centro de Educação Popular de Nova Palmeira - PB.
Patrocínio FIC/Governo do Estado da PB.
Elenco: André Neto, Débora Borges, Eliete Santos, Késia Macedo, Kícia de Oliveira,  Letícia Dias, Jaíne Dantas, Joana Darc Silva e Rita Diniz.
Assistência de direção: Edson Camargo.

Preparação de elenco: Georgina Furtado. 

foto de Carlos Cartaxo, atrizes: Kícia de Oliveira, Jaíne Dantas e Rita Diniz.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A Família Canuto... romance de Carlos Cartaxo agraciado com o Prêmio Jabuti de Literatura


Crítica de Domingos Meireles sobre meu Livro A FAMÍLIA CANUTO



Anatomia da resistência no latifúndio amazônico


Domingos Meirelles*

Ao resgatar a tragédia que se abateu sobre o clã dos Canuto no Sul do Pará, Carlos Cartaxo produziu um relato comovente de uma das páginas mais sórdidas da vergonhosa história do latifúndio na região amazônica: o confronto desigual e perverso entre os grandes fazendeiros e os trabalhadores rurais que lutam para sobreviver, num ambiente desapiedado e hostil, onde o código gelatinoso das leis se orienta mais pelo tilintar das moedas do que pela boa aplicação do direito.

Nessa terra de ninguém, onde os interesses econômicos se amancebam com a impunidade e a corrupção, é que trafega a narrativa romanesca de Cartaxo, em sua denúncia social sobre os crimes cometidos no rastro do destrambelhado processo de ocupação da Amazônia promovido pelos governos militares, a partir de 1964. Com um texto claro e contundente, despojado de arabescos literários, mas com sabor de romance, o autor nos conduz pela trilha de esperanças que João Canuto percorreu, do interior de Goiás ao Sul do Pará, onde seus sonhos foram enterrados junto com ele.

O tom romanesco que perpassa as páginas do livro, onde a mistura de jornalismo e literatura tem o compromisso de realçar a denúncia das misérias do campo, não compromete o caráter documental da obra; ao contrário, imprime ao relato de Cartaxo extraordinária dimensão humana, sem que ele se deixe contaminar pela criação de heróis bem construídos, criados ou revelados em narrativas semelhantes, como é comum no gênero. Os personagens que recolheu entre as muitas desgraças que povoam Rio Maria foram reconstituídos com alma, carne e ossos, sem que o autor lhe conferisse uma aura que os singularizasse como “seres excepcionais”. Cartaxo não forjou mitos – ele fala apenas de homens e mulheres, gente pobre do campo que não se curvou diante da opressão e do arbítrio. Com a precisão e a clareza de uma aula de anatomia, ele expôs as misérias e grandezas de uma família de camponeses que se transforma num exemplo de resistência diante da espoliação dos fazendeiros da região.

Em sua maioria representantes de uma burguesia emergente e arrogante, vinda de outros lugares, os grandes proprietários não suportam a coragem, a determinação e a altivez dos Canuto – João, a mulher Geraldina e os filhos ainda adolescentes. Acusado de invadir fazendas, quase todas latifúndios improdutivos, em companhia de posseiros expulsos de outras roças, Canuto atrai o ódio dos novos ricos empenhados em aumentar seu patrimônio a qualquer preço na floresta amazônica. Em Rio Maria, havia ainda outro bom motivo para que essa oligarquia moderna, “cria da ditadura militar”, detestasse a presença de Canuto naquele lugar: ele era também um dos mais ativos militantes do PC do B na região.

Numa tarde escaldante de dezembro de 1985, João Canuto foi tocaiado e morto por dois pistoleiros de aluguel com 14 tiros à queima roupa, um deles na cabeça, um pouco acima da sobrancelha direita. Foi morto na rua, para que todos vissem. A multidão compungida, que acompanhou seu corpo pelas ruas, entoava hinos religiosos e cantava a música Pra Não Dizer que Não Falei das Flores, de Geraldo Vandré. Canuto foi enterrado no novo cemitério de Rio Maria, onde a maioria das covas abriga centenas de posseiros, vítimas como ele, da violência no campo.

A cena do enterro é uma das páginas mais comoventes do livro. Nas faixas que seguiam à frente do cortejo, lia-se uma palavra de ordem: “Reforma Agrária, Já!” Na floresta de estandartes e galhardetes, que seguia o caixão, viam-se bandeiras do PC do B e do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Rio Maria.

O fazendeiro mandante do crime foi solto através de habeas corpus. Os assassinos foram também contemplados com o mesmo benefício. Libertado, o mandante deixou a região, cumpriu breve exílio voluntário em Goiás, e quando o caso esfriou, retornou a seus afazeres, no Sul do Pará.

O Processo foi engavetado e ninguém foi condenado. A família Canuto ainda perdera mais dois filhos, executados a mando do latifúndio. Em 93, permaneci dez dias em Rio Maria produzindo um Globo Repórter. Então, pude entender porque a violência e a impunidade se apossaram daquela região.

O livro de Cartaxo é um comovente libelo contra a barbárie no campo.

* Jornalista, apresentador do programa “Linha Direta” da Rede Globo, e escritor, autor de “As Noites das Grandes Fogueiras – Uma História da Coluna Prestes”, entre outras obras.

Resenha publicada na Revista “Saber” , Ano I – Nº 3, julho/agosto 2001, p. 31. 

O romance "A família Canuto" foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Literatura da Câmara Brasileira do Livro