Romance A família Canuto

Romance A família Canuto
Romance A família Canuto e a Luta camponesa na Amazônia. Prêmio Jabuti de Literatura.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Lá se foram vinte anos!

 Carlos Cartaxo

Muito se tem falado e reverenciado o tempo ― esse mágico andarilho que não deixa ninguém parado. É como a borboleta que nunca para e, até mesmo quando o ciclo precisa ser renovado, passa pela metamorfose, que é a intimidade do tempo. Lá se foram vinte anos! Parece pouco, contudo, foram cento e trinta e uma publicações; é um compêndio repleto de crônicas e contos, histórias e estórias. Refiro-me aos meus blogs carloscartaxo.blogspot.com e carloscartaxo.wordpress.com. É certo que há escritos passageiros, apenas documentais, enquanto outros são escritos da alma. Há divulgações dos meus livros e seus respectivos lançamentos, há textos cujo conteúdo é crítico, outros reflexivos; enfim, é a sinopse do que penso; é o retrato da minha consciência ilustrada.

Em 26 de março de 2006, criei os blogs para me comunicar com o mundo através da escrita: letras e imagens. A ideia foi um impulso para olhar o mundo e ser visto quando eu morava em Barcelona, na Espanha, e vivi, pela primeira vez, meu estágio de solitude. Foram três anos na Catalunha e vinte anos de escrita.

Igreja da Sagrada Família, Barcelona

Como sempre trabalhei com arte, fui para a Europa fazer o doutorado em Artes Visuais e Educação na Universidade de Barcelona (UB), que é mais antiga do que o Brasil. Sua fundação data de 3 de novembro de 1450. Muitas experiências frutos de vivências. Passaram-se pouco mais de vinte anos ― período em que cheguei à maioridade, aposentei-me, distanciei-me da educação como profissional e assumi a fase de usufruto do que resta da vida ― e resta muito, o suficiente para ser grato a tudo que construiu o homem que sou.

 

Partenon, Atenas, Grécia.

Primeiro: Fui cursar o doutorado sem bolsa de estudos. Tive que trabalhar lá. Fiz uma seleção na própria UB para coordenar administrativamente um laboratório. Assim, aliviava os gastos com moradia, já que a vida era custeada em euros.

Segundo: Fui preparado para me comunicar em espanhol, mas, ao chegar lá, descobri que a língua oficial era o catalão; idioma latino que tem forte relação com o espanhol, o português, o francês e o italiano.

Terceiro: Minha formação no universo das artes era em artes cênicas, e fui cursar um doutorado em artes visuais; por isso, tive que estudar dobrado, embora já conhecesse bem a história da arte: da pré-história à pós-modernidade.

Palco do Globe Theatre,  Londres.


Quarto: Na turma do curso na UB falavam-se pelo menos cinco idiomas: catalão, espanhol, inglês, italiano e português. Felizmente, com o tempo, o espanhol foi o que prevaleceu.

Quinto: Com pouco dinheiro, tive que aprender a cozinhar, o que me fez muito bem, pois aprendi a aguçar o olfato e o paladar.

Sexto: Trabalhava dobrado substituindo os colegas que colaboravam comigo no laboratório quando estes precisavam faltar; então, fiquei com horas excedentes para poder aproveitar promoções e viajar pela Europa, descobrindo o velho mundo, o qual, em encarnações passadas, por lá vivi. 

Teatro Dioniso, Atenas, Grécia.

Sétimo: Foram três anos sem namorar, sem trocar afeto e carinho. Mais um aprendizado que construiu a solitude em meu ser.

Oitavo: Conheci muitos países pela Europa. Visitei sítios de que falava nas minhas aulas sem nunca ter conhecido antes, por exemplo: o Partenon e o Teatro de Dioniso na Grécia, o Globe Theatre em Londres, a arquitetura medieval de Portugal, a Ilha dos Museus e o Muro de Berlim, o Museu do Vaticano, as ruínas históricas e a arquitetura de Roma.

Muro de Berlim que dividiu a história no século XX.

Nono: Apreciei a arquitetura pós-moderna e o Castelo de Praga — considerado o maior castelo do mundo —, onde morou e trabalhou, entre os anos de 1916 e 1917, o escritor Franz Kafka.

Ponte Rei Carlos, Castelo de Praga ao fundo.

Décimo: Fui à Bienal Internacional de Veneza, uma maravilha da arte contemporânea, considerada a mais importante e influente do mundo. Emocionei-me quando vi artistas brasileiros expondo nossa realidade. Em Veneza, mergulhei pelo renascimento de Carlo Goldoni e pelo trajeto de grandes artistas e personalidades que por ali passaram durante séculos.

Décimo primeiro: Fui ao Marrocos conhecer os encantos da cultura muçulmana em Casablanca, Marrakech e Rabat, tendo o cuidado de não fotografar mulheres de forma explícita. Fiquei encantado com a gastronomia e a arquitetura daquele país.

Décimo segundo: Fui a Paris mergulhar nas entranhas do Louvre e me encantar com a Basílica do Sagrado Coração de Jesus (Basilique du Sacré-Cœur) e com os ateliês e cafés no seu entorno.

Ilha dos Museus, Berlim, Alemanha.

Enfim, minha vivência na Europa e, mais especificamente, meu doutoramento na UB resultaram no meu romance “Amor invisível” (cujo subtítulo, Artes e Possibilidades Narrativas, traduz essa minha andança), o que ilustro aqui através de imagens. História viva. Gratidão pela aprendizagem e conhecimento adquirido.

Referência: Fotos do meu Facebook: https://www.facebook.com/carlos.cartaxo.77/